Os Dez Melhores Discos Do Rock

 

Descubra quem entrou (e quem faltou) na lista de Renato L

 

 

   Tudo bem: comemorar os 50 anos do rock tomando por base a primeira gravação de Elvis Presley tem um quê de politicamente incorreto. Afinal, muito antes de “That’s all right, Mama” os artistas afro-americanos de rhythm and blues já haviam cristalizado os fundamentos do gênero. Tudo bem, também, que a história é um processo contínuo e datas como essa são, em parte, meras convenções.

 O fato, no entanto, é que não vou deixar passar a oportunidade de aproveitar o suposto aniversário para incomodar os leitores com outra lista dos “melhores discos de rock de todos os tempos”. É um pequeno capricho permitido aos críticos de música – uma forma de compensar o tempo perdido escutando as atrações da Praça Guadalajara ou agüentando cerimônias como a do Prêmio TIM.

  Como toda lista, a minha mistura os cânones do gênero com escolhas até certo ponto pessoais, quase de valor sentimental. Começo, por ordem cronológica, com um compacto da segunda metade dos 50, Great Balls of Fire, de Jerry Lee Lewis, a condensação dos perigos (luxúria, selvageria, barulho) que fizeram a (má) fama inicial do rock. Logo a seguir, dou um pulo até a metade dos 60 para curtir Rubber Soul, dos Beatles, uma coleção de pérolas pop mais valiosa que um quadro de Vermeer.

 Ainda dos sessenta, retiro do baú Electric Ladyland, de Jimi Hendrix, Beggar’s Banquet, dos Stones, e, do finalzinho da década, a impressionante estréia de Iggy Pop e os Stooges em The Stooges. Depois, é a vez de adiantar o passo até a explosão punk e encontrar Never Mind the Bollocks, o ataque devastador do Sex Pistols ao establishment inglês e ao próprio rock

 Menos anfetamínico que o Never Mind..., mas igualmente tão importante, são as experimentações de David Bowie em Low, o segundo trabalho da sua fase alemã. De Bowie, o mais cool popstar que já existiu, passo para os Smiths e entro nos 80 com The Queen is Dead, sua obra-prima. Pronto, faltam apenas dois nomes: o primeiro (por razões bem particulares, reconheço) é Screamadelic, do Primal Scream, o disco que apresentou as raves ao rock. O segundo é o único fora do universo anglo-saxão e da ordem cronológica: Mutantes, de 68, a estréia dos Mutantes, fecha a lista e o texto.